sexta-feira, 15 de março de 2013

"VARIAÇÕES" - TARQUÍNIO HALL


Do livro “Variações” de Tarquínio Hall ficam aqui três pequenos poemas. Este livro de 1945 está há muito fora de mercado e assim estes poemas são quase desconhecidos. “Variações” estará disponível para leitura on-line em breve neste blog. 


FADO

Esses lábios desbotados
de tanta noite perdida,
por mais pintados que’stejam
não mentem a tua vida…

são sentinelas dormentes
duma boca que consente,
no disfarce de um desejo,
a boca de toda a gente.


HIPOCRISIA

Dobraria o teu penar
em cada frase que pinto,
se te fosse a confessar
toda a verdade que minto…

Porque as letras que desenho,
sem caneta e sem papel,
são desejos que não tenho,
são escárnios de Babel…


CANTIGA

Se queres ser feliz na vida
faz como as ondas do mar:
não desejes quem procuras,
procura quem te encontrar…

O céu tem tantas estrelas,
todas brancas a brilhar.
Dão mais brilho todas elas
quando brilham par a par.


Procurei um dia a sorte,
procurei até cansar…
A sorte que eu procurava
encontrei-a sem contar.

terça-feira, 30 de outubro de 2012

ASSOCIAÇÃO DE SOLIDARIEDADE SOCIAL PROFESSOR VIRGÍLIO HALL DA FONSECA - ASSEMBLEIA GERAL


A Comissão Instaladora da Associação de Solidariedade Social Professor Virgílio Hall da Fonseca tem já nos locais públicos afixada uma convocatória para uma assembleia destinada a todos os associados. Vai acontecer no Sábado, dia 03 de Novembro no salão da sede da Associação Desportiva de Lagos da Beira pelas 21.00 h. a ordem de trabalhos é formada por quatro pontos:

1 – Informações sobre o projecto de construção do Centro de Dia.
2 – Posse da Mesa da Assembleia Geral.
3 – Posse dos restantes Órgãos Sociais.
4 – Outros assuntos de interesse.

A associação já está legalmente constituída desde o dia 04 de Maio do corrente, data da escritura, faltando apenas a eleição dos Órgãos Sociais para funcionar em pleno. O principal objectivo já definido é a construção e manutenção de um centro de dia no terreno adjacente à Biblioteca Museu Tarquínio Hall.
Quem se quiser inscrever como sócio pode faze-lo na Junta de Freguesia, junto de qualquer membro da comissão instaladora ou na Biblioteca Museu, onde poderão também consultar os estatutos.
É fundamental que toda a gente apareça nesta assembleia. Os sócios têm essa obrigação, os não sócios poderão ver muitas dúvidas esclarecidas e associarem-se a este importante e fundamental projecto para o desenvolvimento desta comunidade e bem-estar da sua população.  

quarta-feira, 24 de outubro de 2012

TARQUÍNIO HALL - O PRIMEIRO POEMA


O primeiro livro de poemas de Tarquínio Hall foi editado em 1945 pela Tipografia Funchal e tem como título “Variações”. Este pequeno livro está fora do mercado, mas pode ser consultado nesta biblioteca/museu. O livro abre com o seguinte poema intitulado “Canção” e é dedicado à ilha da Madeira onde o poeta viveu no cumprimento do serviço militar. Pelo menos oficialmente é o primeiro poema deste nosso poeta. Nos próximos dias divulgarei aqui todos os poemas deste primeiro livro.

Canção

Ilha maravilha
Esta linda ilha

Serras altaneiras
Deixando correr ribeiras
Sob um túnel de verdura…
- Paisagem luxuriosa
Vestindo os montes, vaidosa,
D’uma capa de verde escura

Ondulações
Irregulares
Que inspiram canções
Populares…
Montes e outeiros
Formando cumeadas
E desfiladeiros
De silhuetas rendadas…

Encostas relvada
Multicores
Semeadas
De casas e de flores…

Vertentes
Transpirando
Nascentes
Que se vão ligando
- Medrando…

Água que corre, gaiata
Muito branca, cor de prata
Cabriolando
E cantando

Em cachões divinais
Por arroios sinuosos
Por riachos tortuosos
Por ribeiras sensuais…

- Verdadeira
Maravilha,
Esta ilha
Da Madeira!

Toda um jardim em flor
A flutuar no mar,
A segredar

Canções d’amor
E a ostentar
A tela
Mais bela
Que Deus quis pintar!...

(Tarquínio Hall)

sexta-feira, 20 de julho de 2012

ATÉ SEMPRE SR. PROFESSOR


Morreu José Hermano Saraiva. Morreu um homem que encarou a divulgação da nossa história como uma missão. Uma perda irreparável para a nossa cultura. Ele ensinou gerações a gostar de História e a gostar deste país pequeno no tamanho, mas enorme num passado glorioso. Fica a obra, a memória e a saudade. Muito haveria a dizer, mas a emoção prende-me os dedos e bloqueia-me a mente. Obrigado Sr. Professor. A sua vida e obra não será em vão. Até sempre.

quinta-feira, 19 de julho de 2012

OS LAGOS DE LAGOS


Em tempos teorizei sobre a possibilidade de Lagos dever o seu nome à existência de algum ou de vários lagos por aqui. Após algum estudo chego à conclusão de que posso dar a minha teoria como provada. De facto, Francisco Correia das Neves no seu livro “ Enquadramento Histórico e Toponímia do Concelho de Oliveira do Hospital” esclarece que “Lagos” e “Lagares” derivam do latim “lacus” que significa lago, charco, ou pântano. A povoação assenta sobre lençóis de água. É sabido que aqui é fácil encontrar água em poços sem ser preciso ir a grandes profundidades. Naturalmente, em tempos antigos, formavam-se por aqui charcos e pequenos lagos alimentados pelas inúmeras nascentes. O pequeno ribeiro que atravessa Lagos podia nesse tempo ter maior caudal formando lagos e pântanos nas margens. Também a nascente que alimenta a Fonte de São João podia contribuir para isso.  Outros argumentos vêm confirmar a teoria e passo a descrever.

·        Há vestígios da região ser habitada no Neolítico. Estes povos viviam da caça e da recolha de frutos e raízes. Quando é inventada a agricultura, os povos deslocam-se para as margens dos rios onde há água com abundância e terrenos férteis. Isso terá acontecido em Meruge cujos habitantes terão deixado o alto de São Bartolomeu para se instalarem nas margens do rio Cobral. Isso aqui não aconteceu. A zona continuou a ser habitada como provam as sepulturas antropomórficas típicas da baixa idade média. Significa que aqui havia água com abundância para a nova actividade agrícola. (talvez algumas pessoas se tenham deslocado mais para baixo onde passa um ribeiro e tenham dado origem a Nogueirinha. É apenas uma hipótese)

·        A zona onde habitavam esses povos primitivos e onde se encontram vestígios chama-se Paul. A palavra deriva do latim “palus”  e significa pântano ou terreno alagadiço.

·        Também existe entre Lagos e a chamusca a Quinta da Lameira. O nome é também sinónimo de lamaçal, pântano, charco ou lago.

Lagos chamou-se São João de Lagos pelo menos até ao Foral Manuelino. É secular a devoção a São João Batista e é muito provável que o nome tenha sido dado pela Ordem Militar dos Cavaleiros de São João de Jerusalem conhecida por Ordem dos Hospitalários e dona das terras de Ulveira (Oliveira do Hospital). Também é possível que o nome seja mais antigo. Há sérios indícios de que a actual igreja matriz foi construída num local de culto cristão ainda do tempo dos Mouros, mas isso será tema para outro artigo.

Lagos passa a Lagos da Beira e a origem do nome “Beira” é bastante confusa. Acredita-se que foi dado o nome de terras da Beira a todas as regiões à beira da Serra da Estrela. (Montes Hermínios), tanto para norte (Beira Alta) como para sul (Beira Baixa).

                                                                                       Vítor Paulo Fernandes

sexta-feira, 13 de julho de 2012

FONTE DE SÃO JOÃO // REGALEIRA


Qual a origem da fonte de São João em Lagos da Beira. A data (1872) leva a pensar numa possível obra de António Augusto Carvalho Monteiro. Há outros indícios que levam a essa conclusão: as semelhanças da nossa fonte com a fonte do palácio da Regaleira em Sintra. Nada se pode afirmar com certezas, mas é difícil acreditar numa coincidência. Claro que a fonte de Lagos é uma construção mais simples. Outro factor que pode apoiar esta teoria é o facto de a nascente que alimenta a fonte estar em terras que pertenceram a Carvalho Monteiro.
Nas fotos podem ver-se as semelhanças marcadas com círculos. 

FONTE DA QUINTA DA REGALEIRA - SINTRA                  -                   FONTE DE SÃO JOÃO - LAGOS DA BEIRA

sexta-feira, 27 de abril de 2012

EXPOSIÇÃO DE BANDA DESENHADA


Está patente ao público na Biblioteca Museu Tarquínio Hall, até 6 de Maio, uma exposição dedicada à banda desenhada. Algumas dezenas de livros dos mais variados formatos e estilos e 7 painéis temáticos compõem a amostra. Também está a ser feita uma banda desenhada ao vivo com oito pranchas que poderá ser adquirida por encomenda. Os painéis abordam a história, técnicas, várias escolas e publicações antigas de BD. Há ainda um espaço dicado a filmes adaptados da BD e uma pequena homenagem a Milo Manára. Esta é a primeira exposição na biblioteca. Estão a ser feitos contactos para uma mostra de fotografia artística de um jovem de Meruge com raízes na nossa Freguesia.  



quinta-feira, 5 de abril de 2012

INVESTIGAÇÃO HISTÓRICA EM LAGOS DA BEIRA


No passado dia 31 de Março, Lagos da Beira, teve a visita de uma equipa de investigadores de História liderada por Paulo Andrade. Os objectivos eram conhecer as origens de António Augusto Carvalho Monteiro, seu legado e sua importância na freguesia. Também importava investigar possíveis vestígios templários na região. O principal objecto de estudo foi a capela de São Roque mandada construir por Carvalho Monteiro com projecto de Luigi Manini, arquitecto italiano autor do Palácio da Regaleira. Foram também de grande importância os estudos feitos na Igreja Matriz e na Quinta da família Maia Lobo. Tudo isto aliado a testemunhos das pessoas mais idosas da nossa terra forneceram importantes dados aos visitantes. Não me cabe aqui revelar conclusões e hipóteses, mas adianto que os dados recolhidos constituirão um importante capítulo da reedição actualizada de um livro sobre a Quinta da Regaleira e seu ilustre proprietário.
Foram as minhas publicações em blogues e no Facebook que atraíram estes estudiosos e é quase certo que outros lhes seguirão o rasto. Sem qualquer ponta de modéstia fico contente por o meu trabalho de divulgação ter encontrado eco. Abre-se assim a possibilidade da obra de Carvalho Monteiro constituir um importante cartaz de turismo cultural para a nossa Terra. Os contactos vão continuar até porque faz parte dos objectivos da Biblioteca Museu o estudo profundo da nossa história.

Vítor Fernandes