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domingo, 14 de setembro de 2014
quarta-feira, 27 de março de 2013
VARIAÇÕES - 3
CONTINUAÇÃO DA DIVULGAÇÃO DO PRIMEIRO LIVRO DE TARQUÍNIO HALL - VARIAÇÕES - 1945
FANTASIA
Às vezes acordo
e sonho acordado
que durmo outro
sono
contigo ao meu
lado…
e porque mantenho
a cara coberta
e os olhos
fechados,
eu julgo que tenho
na boca deserta
teus lábios
colados…
Só tenho medo
que a madrugada
transforme em nada
tão doce enlevo!
Mas pode a luz do
dia
cegar a fantasia
de quem anseia
amar!?...
INTROSPECÇÃO
Visão fantástica
dum outro ser!
Espectro divino
que tu compreendes,
mas que eu não sei
compreender:
Deus!
Os teus olhos
e os meus
choraram um dia
juntos
defronte da mesma
cruz;
mas eu não sabia
ver
nem podia
compreender
essa força divina
que embalava o
nosso pranto…
um vago
arrependimento
pairou por sobre o
meu passado…
e ao reparar em mim
mesmo
senti, a partir
desse momento,
que uma vida nova
havia começado!
terça-feira, 26 de março de 2013
DO LIVRO "VARIAÇÕES" - 1945
MEDITAÇÃO
As ondas,
o mar…
Uma após outra
sempre a marulhar,
sempre a
marulhar!...
Quem me dera saber
compreender,
adivinhar
o teu segredo!
Muitas vezes
deitado
ao teu lado,
começo a olhar,
a cismar,
a cismar…
Mas desisto sempre
sem chegar
a compreender,
a adivinhar
o teu segredo!
CONTRADIÇÃO
Adoro-te tanto,
tanto,
que até chego a
recear
que te deixa
possuir,
que passes a ser
vulgar…
porque em geral
todo o encanto
só dura enquanto
não é banal.
Eu queria adorar-te
sempre!
Nega-me o teu amor!
Mente!
TARQUÍNIO HALL
sexta-feira, 15 de março de 2013
"VARIAÇÕES" - TARQUÍNIO HALL
Do livro “Variações”
de Tarquínio Hall ficam aqui três pequenos poemas. Este livro de 1945 está há
muito fora de mercado e assim estes poemas são quase desconhecidos. “Variações”
estará disponível para leitura on-line em breve neste blog.
FADO
Esses lábios
desbotados
de tanta noite
perdida,
por mais pintados
que’stejam
não mentem a tua
vida…
são sentinelas
dormentes
duma boca que
consente,
no disfarce de um
desejo,
a boca de toda a
gente.
HIPOCRISIA
Dobraria o teu
penar
em cada frase que
pinto,
se te fosse a
confessar
toda a verdade que
minto…
Porque as letras
que desenho,
sem caneta e sem
papel,
são desejos que não
tenho,
são escárnios de
Babel…
CANTIGA
Se queres ser feliz
na vida
faz como as ondas
do mar:
não desejes quem
procuras,
procura quem te
encontrar…
O céu tem tantas
estrelas,
todas brancas a
brilhar.
Dão mais brilho
todas elas
quando brilham par
a par.
Procurei um dia a
sorte,
procurei até cansar…
A sorte que eu
procurava
encontrei-a sem
contar.
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